A participação das juventudes na política e nos espaços de decisão não pode ser tratada como uma promessa para o futuro. É uma necessidade do presente. Nenhum projeto de país será verdadeiramente democrático, justo e desenvolvido enquanto milhões de jovens forem vistos apenas como beneficiários de políticas públicas, e não como sujeitos de direitos e protagonistas da própria história.
Fortalecer a participação juvenil exige um compromisso coletivo do Estado, dos partidos políticos e de toda a sociedade. Significa enfrentar as desigualdades que marcam a vida de tantos jovens e construir uma agenda capaz de combinar oportunidades, direitos, participação popular e esperança.
É com essa missão que a Juventude Socialista Brasileira completa 37 anos.
A JSB foi criada em 13 de julho de 1989, durante o processo de redemocratização do Brasil, com o objetivo de organizar a militância jovem do Partido Socialista Brasileiro. O país saía de uma longa ditadura militar e vivia um período de intensa mobilização pela liberdade, pela democracia e pela ampliação dos direitos da população. Desde sua origem, portanto, nossa juventude esteve ligada à tarefa de defender a democracia e ampliar a presença dos jovens na vida política nacional.
Mais do que o segmento jovem do PSB, a JSB tornou-se, ao longo dessas quase quatro décadas, uma escola de formação política, um espaço de acolhimento e uma ferramenta de organização das juventudes brasileiras. São milhares de militantes que passaram por nossas fileiras e ajudaram a construir movimentos estudantis, conselhos de juventude, organizações comunitárias, movimentos sociais, mandatos parlamentares, governos e políticas públicas em todas as regiões do país.
Nossa história não está restrita às estruturas partidárias. Ela está presente nas escolas, nas universidades, nos bairros populares, nas periferias, no campo, nas comunidades tradicionais, nos movimentos culturais e em cada território onde exista uma juventude disposta a transformar sua realidade.
## Juventudes diversas, um mesmo compromisso
Ao longo desses 37 anos, a JSB aprendeu algo fundamental: não é possível pensar uma política de juventude olhando para todos os jovens da mesma forma.
A realidade muda de acordo com o lugar onde cada um nasceu, com as oportunidades que teve ao longo da vida e com as dificuldades que enfrenta todos os dias. Há quem precise abandonar os estudos para ajudar no sustento da família. Há quem passe horas no transporte público para conseguir trabalhar e estudar. Há jovens que encontram na cultura, no esporte ou na universidade oportunidades que outros sequer conseguem acessar.
É justamente por compreender essas diferentes realidades que defendemos políticas públicas capazes de ampliar oportunidades para todos, sem deixar ninguém para trás. Nosso compromisso é fazer com que cada jovem tenha condições reais de construir seu próprio projeto de vida, independentemente de sua origem.
Foi com esse entendimento que a JSB construiu sua trajetória: presente no movimento estudantil, nas comunidades, nas universidades, nos movimentos sociais, nos conselhos de juventude, nos parlamentos e em tantos outros espaços onde a participação juvenil pode produzir mudanças concretas. Mais do que formar militantes, buscamos formar pessoas comprometidas em transformar a realidade onde vivem e em fazer da política um instrumento de mudança na vida das pessoas.
- A esperança também é uma força política
Apesar das dificuldades, as juventudes brasileiras ainda acreditam na possibilidade de um futuro melhor. A pesquisa “Juventudes: um desafio pendente”, realizada pela Fundação Friedrich Ebert com jovens brasileiros, mostrou que 88% dos entrevistados acreditam que seu futuro será melhor um dado muito significativo para um país onde milhões de jovens ainda convivem com desemprego, insegurança, desigualdade, dificuldades de acesso à educação e precarização das relações de trabalho.
Essa esperança, no entanto, não pode ser romantizada nem utilizada para responsabilizar cada jovem individualmente pelo próprio destino. A vontade de construir uma vida melhor precisa encontrar condições reais para se tornar realidade. É responsabilidade do poder público criar os caminhos para que os jovens consigam estudar, trabalhar, circular pela cidade, desenvolver suas habilidades e participar das decisões que afetam suas vidas. A esperança das juventudes precisa ser correspondida com investimentos, políticas públicas, instituições democráticas e oportunidades concretas.
A mesma pesquisa mostra que pobreza, desemprego e insegurança estão entre os principais problemas percebidos pelos jovens. Ao mesmo tempo, 66% consideram a democracia a melhor forma de governo. Mas também existem sinais que exigem nossa atenção: parte significativa dos jovens acredita que um líder forte poderia resolver os problemas melhor do que os partidos e as instituições, enquanto muitos consideram que a democracia poderia funcionar sem partidos políticos. Esses dados demonstram que existe uma disputa em curso sobre o sentido da democracia e sobre o papel das instituições na vida da população.
- O desafio de reconstruir a confiança na política
A política somente recuperará a confiança das juventudes quando conseguir dialogar com seus problemas reais. Segundo a pesquisa da Fundação Friedrich Ebert, 57% dos jovens entrevistados afirmam não confiar nos partidos políticos. Apenas 25% declaram ter interesse em política, enquanto outros dizem que gostariam de participar de alguma causa, mas ainda não encontraram os caminhos para isso.
Esse cenário não deve levar os partidos a culpar os jovens pelo afastamento. Ao contrário: os partidos precisam olhar para dentro, rever suas práticas, atualizar sua forma de comunicação, abrir espaços reais de participação e permitir que os jovens influenciem as decisões mais importantes. Não basta chamar a juventude para segurar bandeira, distribuir material ou aparecer em fotografias durante as eleições. É necessário garantir sua presença nos espaços de direção, nos processos de formulação política, nas candidaturas, nos governos e na definição das prioridades partidárias.
Esse também é um desafio permanente para a JSB. Precisamos estar nas ruas, nas comunidades, nas escolas, nas universidades e nas redes sociais. Precisamos ouvir os jovens que ainda não estão organizados, dialogar com suas angústias e mostrar, por meio de resultados concretos, que a política democrática pode transformar vidas.
O Partido Socialista Brasileiro tem a responsabilidade de demonstrar, em suas gestões e em seus mandatos, que o socialismo democrático não é apenas uma formulação teórica. Ele precisa ser percebido na vida cotidiana das pessoas, na ampliação dos direitos e na qualidade dos serviços públicos.
- Políticas públicas que transformam territórios
No Espírito Santo, o governo de Renato Casagrande implantou 14 Centros de Referência das Juventudes em dez municípios. Os CRJs oferecem cursos, atividades culturais, oficinas de geração de renda, acesso a computadores, espaços de estudo e acompanhamento para jovens, principalmente em territórios de maior vulnerabilidade social. Os equipamentos integram o Programa Estado Presente e representam uma importante iniciativa de prevenção social voltada às juventudes.
Esse investimento em prevenção faz parte de uma estratégia mais ampla, que combina inclusão social, inteligência, integração das forças de segurança e presença do Estado nos territórios. Em 2010, o Espírito Santo registrava uma taxa de aproximadamente 51 homicídios por 100 mil habitantes; em 2024, essa taxa caiu para cerca de 20,8 por 100 mil o menor índice da série histórica iniciada em 1996. Essa redução não pode ser atribuída a uma única política, mas demonstra a importância de uma estratégia que não trata a segurança pública apenas como uma questão de repressão. Segurança também se constrói com educação, cultura, esporte, oportunidades e presença permanente do poder público.
No Recife, a Rede Compaz também demonstra como a ocupação positiva dos territórios pode fortalecer os vínculos comunitários e prevenir a violência. Os Centros Comunitários da Paz foram criados para promover cidadania, inclusão social, acesso a direitos, mediação de conflitos e fortalecimento das comunidades, reunindo atividades esportivas, culturais, educacionais e diferentes serviços públicos em bairros populares da cidade.
Outro exemplo é o Embarque Digital, política de formação superior na área de tecnologia da informação e comunicação. Por meio da oferta de bolsas de estudo, o programa aproxima jovens que estudaram na rede pública das oportunidades geradas pelo polo tecnológico do Recife, conectando educação, inovação e mercado de trabalho.
Essas experiências mostram que uma política de juventude não deve se limitar à realização de eventos ou ações pontuais. Ela precisa atuar sobre a realidade, criar oportunidades e estar presente onde os jovens vivem. Um equipamento público aberto em um território popular pode significar acesso à cultura para quem nunca entrou em um teatro, formação profissional para quem não teria condições de pagar um curso, apoio educacional para quem sonha com a universidade e proteção para quem convive diariamente com a violência. É assim que uma gestão socialista deve atuar: transformando direitos escritos no papel em direitos vividos pela população.
- Trabalho digno e tempo para viver
Um dos maiores desafios enfrentados atualmente pela juventude brasileira é a precarização do trabalho. Milhões de jovens iniciam suas trajetórias profissionais em ocupações instáveis, mal remuneradas e sem a garantia plena de direitos. Muitos precisam conciliar estudo, trabalho, deslocamentos demorados e responsabilidades familiares uma rotina que reduz o tempo disponível para o descanso, o lazer, a convivência comunitária e a participação política.
Por isso, a luta contra a escala de trabalho 6×1 também é uma luta da juventude. Defender a redução da jornada e melhores condições de trabalho significa defender o direito de viver para além do emprego. Quando um jovem passa a maior parte da semana trabalhando e utiliza o restante do tempo apenas para se recuperar fisicamente, sua participação social fica comprometida.
A ausência de jovens nos espaços políticos nem sempre representa falta de interesse. Muitas vezes, é o resultado direto de uma estrutura que lhes retira tempo, renda, energia e perspectiva. Não podemos discutir participação política sem discutir as condições materiais que a tornam possível. Uma democracia forte depende de pessoas que tenham tempo e condições para participar da vida coletiva. Trabalho digno, educação, renda, transporte, cultura e lazer também são políticas de fortalecimento da democracia.
- Formação política para transformar o Brasil
Ao longo de sua história, a JSB ajudou a formar diferentes gerações de lideranças políticas e sociais. Esse papel continua atual e talvez seja ainda mais necessário diante do crescimento da desinformação, do individualismo, da intolerância e dos discursos autoritários.
Formar politicamente não significa entregar respostas prontas. Significa desenvolver a capacidade crítica, estimular a leitura da realidade e preparar jovens para construir soluções coletivas. Precisamos formar uma geração que compreenda o funcionamento do Estado, conheça a história das lutas populares e esteja preparada para disputar projetos de sociedade uma geração capaz de ocupar as instituições sem se afastar das ruas, e que compreenda a política não como instrumento de benefício pessoal, mas como compromisso com a transformação social.
A JSB deve continuar sendo uma porta de entrada para jovens que desejam participar da política, mesmo quando ainda não conhecem plenamente o funcionamento de um partido. Deve acolher, escutar, formar e permitir que novas ideias renovem nossas práticas. A juventude não pode ser chamada apenas para reproduzir estruturas antigas; ela precisa ter liberdade para questioná-las, atualizá-las e transformá-las.
Essa discussão também esteve presente no processo de Autorreforma do PSB, que apontou para a necessidade de ampliar o protagonismo das juventudes dentro do partido. A JSB carrega essa responsabilidade: ajudar a construir um PSB cada vez mais aberto, participativo e conectado com as novas gerações.
- Uma história que aponta para o futuro
Celebrar os 37 anos da Juventude Socialista Brasileira é reconhecer uma trajetória de resistência, formação e compromisso com a democracia. Mas também é renovar as responsabilidades que assumimos diante do país.
Ainda temos enormes desafios pela frente. Precisamos ampliar a participação política juvenil, combater a violência que atinge principalmente os jovens das periferias, garantir trabalho digno, democratizar o acesso à educação e à tecnologia, fortalecer as políticas públicas e recuperar a confiança das novas gerações nas instituições democráticas.
Precisamos construir um Brasil em que a juventude não seja obrigada a abandonar seus sonhos para sobreviver. Um país em que o lugar onde alguém nasceu não determine até onde poderá chegar. Um país em que nenhum jovem seja tratado como um problema, mas como parte fundamental da construção das soluções.
Entre conquistas e desafios, a Juventude Socialista Brasileira seguirá na vanguarda da luta por uma sociedade mais justa, democrática e igualitária. Seguiremos defendendo o socialismo com liberdade e democracia, formando novas lideranças, ocupando os espaços de decisão e apresentando respostas concretas aos problemas enfrentados pelas juventudes brasileiras.
Que a JSB continue sendo essa grande família política, capaz de acolher, formar e transformar a vida de milhares de jovens. Que continue revelando lideranças comprometidas com o povo e ajudando a construir governos que coloquem as juventudes no centro de suas prioridades.
São 37 anos de história, mas os nossos olhos continuam voltados para o futuro.
Vida longa à Juventude Socialista Brasileira. Vida longa à luta pelo socialismo democrático e pelos direitos das juventudes do Brasil.
Por Bruno Barreto, presidente nacional da Juventude Socialista Brasileira






